Cemitério de Aldeia
Soneto de Marcionílio Porto
dedicado a Euclides Moreira Neto
No descampado de velha aldeia
pobre cemitério outrora havia.
Viam-se caveiras sobre a areia,
corujas dormindo sobre cruz esguia.
Sobre despojos visão vagueia
alva e flébil, ao fim do dia.
A visão chora - a lua pranteia -
a visão canta - a coruja pia.
Essa vida é frágil, muito pouca!
No sorriso da caveira oca
vê-se mistérios sem gritos de ais.
Descem as noites... Tudo é mistério!
- A visão não mais no cemitério.
Dir-se-ia ilusão. Jamais!... Jamais!...
Nota: Marcionílio Porto, o Sussu, nasceu em 1902, nas vizinhanças de Vitória da Conquista, mas depois mudou-se para o povoado do Barracão, que apenas nascia e que se tornou município com o nome de Rio do Prado. Em 1983, já octogenário, publicou Cantos do meu Ocaso, no qual, me parece, ñ consta este poema. Seu filho, Almir Porto, o popular Nini, publicou, em 2004, livro sobre o município e tem outro pronto para ser editado.
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