Tetralogia do Rio
1. O rio chama para a vida;
o rio chama para a morte;
o rio chama rio;
e a chama do rio, quando se apaga?
2. O milagre é o que foge à regra;
se alegra não sei;
não fosse a mudança, alegraria,
mas é fora-da-lei.
3. O caos engole bons e maus
e até o espírito é de matéria feito
e é engolido;
o caos varre do mapa cidade e rio;
4. A prisão preside sobre a liberdade,
engloba e engole a liberdade,
e vomita o saco de ossos,
que é o que somos na verdade.
Salto da Divisa, julho de 1994
Observações: esse poema foi escrito durante o XV Festivale. Na época, o poeta Cláudio Bento tinha publicado, em forma de cartaz, o poema Trilogia do Rio, que nos inspirou. Havia também um intenso debate em torno da construção da Hidrelétrica de Itapebi, que ficou pronta já nos anos 2000 e submergiu o belíssimo Salto da Fumaça, que deu nome à cidade.
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